JOSÉ DELLA PASQUA LIDEROU MOVIMENTO PRÓ BR-163

Na década 60 quando José Della Pasqua fora prefeito de Medianeira (1966-1970) liderou o movimento da Campanha Nacional pró BR-163 para que o traçado passasse por Medianeira aproveitando a Estrada do Colono que já era uma via utilizada pelos colonizadores do Sul rumo ao Oeste do Paraná e outros estados da federação. Ele presidiu dois conclaves no ano de 1968, um em Medianeira e outro em Irai-RS; visto que o Governo Militar anunciara que para a década 70 dinamizaria o Plano de Integração Nacional fazendo uma ligação da BR-163 de Cuiabá a Santarém no Pará, incluindo na rodovia os trechos de Rondonópolis a Dourados no Mato Grosso; Guaíra a Porto Mendes no Paraná. Se argumentava na época, que a estrada seria um poderoso instrumento de integração sócio-econômico e cultural não só com as regiões Centro Oeste e Norte Brasileiros, mas também de integração internacional entre o Brasil e países vizinhos .A principal justificativa dos encontros liderados por Medianeira era incluir outros trechos no plano do governo federal de Dourados a Guaíra, de Porto Mendes a Barracão/Dionísio Cerqueira em Santa Catarina (que passaria pela Estrada do Colono), seguindo para o Rio Grande do Sul passando por Irai, Soledade… até  Porto Alegre. Com isso se criaria a oportunidade imperiosa e o dever de aproximar o Brasil de si mesmo, além de promover o intercâmbio comercial básico de forma mais ampla de Norte a Sul do País.

Depois dessas mobilizações muitos trechos solicitados foram e estão sendo construídos. Pela Estrada do Colono nem cogitação, pois a rota da rodovia mudou sendo Cascavel o entroncamento da BR-163- faltou por aqui liderança política. Tivemos mais um agravante quando da construção da PR-495 de Medianeira-Serranópolis do Iguaçu no governo de José Richa, a pretensão era asfaltar o percurso de 17 km da estrada do Colono que corta o Parque Nacion al do Iguaçu. Foi aí que os ambientalistas se rebelaram sob a liderança do iguaçuense  Arnóbio da Silva e pasmem, a estrada acabou sendo fechada pela Polícia Federal em 12 de setembro de 1986, através de liminar concedida pelo juiz federal Milton Luis Pereira. Atitude que revoltou a população por ter interrompido uma ligação histórico-cultural da colonização da região e afetiva com as origens. E depois de uma década fechada e da contínua luta jurídica sem resultados, se forma a AIPOPEC-Associação de Integração Comunitária Pró- Estrada do Colono com o objetivo de sensibilizar as autoridades para reabrir a Estrada do Colono. Tudo em vão, até que a população reabriu a força, enfrentando toda a ordem jurídica e por um bom tempo o tráfego voltou ao normal com restrições de tráfego e horários. Enquanto a estrada estava aberta pela comunidade, o juiz Pedro Pain Falcão do Tribunal Regional Federal de Porto Alegre  oficializou a abertura da estrada derrubando liminar. Dava sensação de vitória. Só que a alegria durou pouco, o STF derrubou a decisão de Falcão. E mais, até a balsa de travessia do Rio Iguaçu foi implodida.

Para amenizar o problema, o IBAMA prometeu implantar junto as comunidades um plano de manejo do PNI, até hoje não foi implementado. Enquanto na outra ponta do Parque  em Foz do Iguaçu, praticamente na mesma época do fechamento definitivo da Estrada do Colono, o IBAMA lançava dois editais de concorrência para exploração turística e infraestrutura da região das Cataratas do Iguaçu- área dentro do Parque.  A empresa vencedora tornou o espaço ainda mais atrativo. Alega-se que a Estrada do Colono poderia comprometer a biodiversidade, a flora e a fauna. No entanto, sabe-se que seguidamente são encontrados por policiais militares ambientais acampamentos clandestinos que abrigam caçadores. O que se conclui é que o corte de 17 km da Estrada do Colono aberta há décadas que serviu de passagem para colonização, nunca foi motivo de destruição da natureza. Pelo contrário, serviu como sentinela contra os depredadores. As mobilizações lideradas por José Della Pasqua para que a BR-163 passasse por Medianeira, se perderam no decorrer do tempo, por falta de expressão política para lutar por essa causa. E tivemos o pior final possível, o fechamento da estrada que até hoje não convenceu a população- explica-se o inexplicável.

Mesmo cientes de que será difícil a reabertura, não podemos desistir do sonho de lutar em busca do direito da passagem conquistada que se antecipa a própria criação do Parque Nacional do Iguaçu. ( Da Redação)

Mobilização pró BR-163 liderada por José Della Pasqua em Medianeira

Mais um encontro dentre muitos, desta vez em Irai-RS

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