RETROSPECTIVA EM IMAGENS DA POLÊMICA ESTRADA DO COLONO

Se imagens eternizam momentos do cotidiano e fatos históricos, selecionamos seis fotos do arquivo do Jornal Mensageiro e Revista Mosaicos para relembrar a Estrada do Colono, no momento que sinaliza possível reabertura. E já começaram mobilizações com novos ingredientes: demonstração favorável do presidente da República Jair Bolsonaro e pelo governador do Paraná Carlos Massa Ratinho Júnior; apresentado Projeto de Lei alusivo ao tema na Câmara Federal pelo deputado Nelsi Coguetto Maria, o Vermelho, de Foz do Iguaçu, resgate do Projeto de Lei no Senado pelo senador Álvaro Dias do Paraná e formada Frente Parlamentar na Assembleia Legislativa. Até a Itaipu está sendo sensível com a causa e com intenções de participar do projeto.

01 – A Estrada do Colono faz parte da história do Sul do Brasil como demonstra essa foto no início da década 50. Serviu de passagem aos colonizadores do Oeste do Paraná, Centro Oeste do Brasil e migração a países da América do Sul. Tem uma ligação afetiva que passou de geração a geração há décadas, encurtando distâncias. Não mais do que de repente rompeu um passado e a sensação prazerosa de atravessar o Rio Iguaçu de balsa percorrendo 17,6 quilômetros no meio da mata. Com o fechamento em 1986 foram quebrados os eleos históricos e sufocado o desenvolvimento de Capanema e Serranópolis do Iguaçu com respingos em toda a região. A história registra que o caminho serviu de passagem de índios que se fixaram em países da América do Sul, como também a Coluna Prestes passou por essa trilha em 1924, bem antes da criação do Parque Nacional do Iguaçu que aconteceu em 1939.

02 – Esta era a balsa de travessia pelo Rio Iguaçu, passando diariamente cerca de 400 carros de passeio e 80 caminhões, além de linhas de ônibus das empresas Unesul e Helios. Depois do fechamento da estrada em 1986, a balsa foi levada pela Polícia Federal e doada a Marinha para ser usada como atracadouro em operações no Lago de Itaipu. No entanto, quando a Estrada do Colono foi reaberta em 1997, de forma ilegal, as lideranças do movimento providenciaram outra balsa que acabou sendo interditada por decisão judicial. Ação esta que resultou num confronto entre a população e a policia, culminando com o fechamento da Estrada do Colono em 2001 que continua até hoje.

03 – Após inúmeros atos públicos e formada a Associação de Integração Comunitária Pró-Estrada do Colono (AIPOPEC) prefeitos, lideranças, políticos e população resolveram reabrir a Estrada do Colono em junho de 1997. Na foto a simbólica reabertura, de forma ilegal, não com corte de fita, mas o corte de uma corda que deu o grito de transitar livremente pelo Caminho do Colono em enfrentamento a ordem judicial. Regras foram estabelecidas pelos idealizadores de forçar a passagem, inclusive cobrado uma espécie de pedágio para suprir as despesas de fiscalização e mobilização contínua. De 1997 até 2001 foram quatro anos de total insegurança, batalhas jurídicas, mas sempre com a esperança de restabelecer a ordem e oficializar a abertura em definitivo, o que não aconteceu.

04 – Em 2001após operação da Polícia Federal, a Estrada do Colono foi novamente fechada. A discussão abre, não abre, perdurou por quatro anos, até sair determinação do Tribunal Regional Federal de Porto Alegre (RS) para o fechamento definitivo. Ao chegar os federais para cumprir a ordem começou o enfrentamento; um deles deu-se quando os moradores investiram com pedras contra o helicóptero que transportava o diretor do Parque Nacional do Iguaçu Júlio César Gonchorosky, os quais foram  barrados pela PF com bombas de efeito moral e uso de cassetetes. Várias pessoas ficaram feridas.

05 – Durante os oito dias que a Polícia Federal permaneceu no local, em julho de 2001, aconteceram vários conflitos, o mais grave foi detenção de quatro lideranças por se rebelarem contra o fechamento da Estrada do Colono; dentre os quais dois prefeitos o de Medianeira, Luiz Yoshio Suzuke e o de Serranópolis do Iguaçu, Nilvo Antonio Perlin (foto). Essa operação da PF proibiu a passagem de veículos pela estrada e já se passaram 18 anos. No entanto, a reabertura não ficou esquecida.

06 – Quando do fechamento da Estrada do Colono em 2001, a Polícia federal chegou pronta para o ataque. Bloqueou a via e a guarita foi lacrada com correntes e arame farpado. A partir desta data, as manifestações não aconteceram mais e todas as tentativas de reverter à determinação do Tribunal Regional Federal (TRF) foram frustradas. No decorrer desses 18 anos, muitos políticos semearam esperança em época de eleições, mas sem aproximação com os órgãos competentes e anuência de governantes. Neste 2019 a chama da possibilidade de reabertura voltou pelas declarações favoráveis dos governos federal e estadual, o que poderá facilitar que o sonho se concretize; conquanto que haja ordem, respeito a lei, sem enfrentamentos e a garantia de preservação. 

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