Comunidade Santa Helena História Viva, veja a história da família Schirholt e sua belíssima casa construída em homenagem às origens do pai, Theodor Clemez Schierholt, que veio da Alemanha com dois anos de idade, em 1926.
Vejam o que nos conta a seguidora Neli Schierholt que também nos enviou as fotos.
“A família do meu pai (2 anos de idade) veio da Alemanha para o Brasil com 9 filhos e minha avó estava grávida. Após dois meses no Brasil ela faleceu durante o parto. A criança sobreviveu. Era a segunda esposa que meu avô perdera no parto. Ficou tão desiludido que não casou mais. Criou os filhos sozinho numa terra onde sequer sabia falar a língua. Meu pai (Theodor) era o único filho homem.”
“Para Santa Helena, viemos de Rolante/RS, em julho de 1959. Foram 5 dias de viagem. O Oto Freimuller, pai do Luiz Freimuller veio junto. Ele e meu pai eram sócios de uma funilaria e ferraria, em Rolante. O motorista, Dona Lúcia e Freimuller viajaram na cabine, os outros na carroceria junto com a mudança: meu pai, minha mãe, eu, o Careca (irmão) e os filhos da família Freimuller Luiz e Pedro.
Foi uma aventura. Eu tinha 6 anos, mas lembro de muitos trechos da viagem. Passamos pela antiga estrada do Parque Iguaçu, pois a estrada de Missal não existia. De Capanema à Santa Helena a maior parte era de mato fechado. Entre Medianeira e Foz do Iguaçu onde hoje é a BR 277 era mais povoada, mas a estrada era de chão batido.
Para nós crianças era uma aventura viajar de caminhão. O pai se preocupava em nos distrair com jogos e outros brinquedos.
Quando chegamos paramos em frente ao Hotel do Sr. Orlando Weber e de lá fomos para a Vila Rica (bairro) onde tinha umas casas pequenas geminadas da Madalosso (empresa colonizadora), onde moramos até que a nossa moradia fosse construída. Lembro que o pai construiu uma meia-água ao lado das casas que ficamos para guardar as coisas. Em seguida construíram um galpão com telhado meia-água no fundo do nosso terreno onde fomos morar.
Primeiro construíram a casa do Oto e da Lúcia, depois a nossa que ficou semi pronta em 1960.
No início, meu pai Theodor fazia um pouco de tudo. Consertava bicicletas, reformava fogões à lenha, fabricava tachos para fazer açúcar mascavo, entre muitas outras coisas nesse ramo. Depois abriu uma firma no ramo de bicicletas e tintas, mas por muito tempo ainda reformou fogões e fez tachos.
Meu pai sempre foi muito preocupado em que nos aprendêssemos a ler e escrever. E como a escola em Santa Helena era muito precária, ele nos ensinava em casa.
Ele era autodidata. Só fez um ano de escola. Nunca fez aula de alemão, no entanto escreveu por muitos anos uma coluna para o Brasil Post. Um jornal aqui do Brasil escrito em alemão. Muitos moradores de Santa Helena tinha assinatura dele. O pai recebia o pacote e depois o pessoal vinha buscar nos domingos depois da missa.
Meu pai era muito inteligente, lia e escrevia muito. Fazia cálculos matemáticos que muitos engenheiros tinham dificuldade, mas tinha dificuldade para interagir com outras pessoas. Se fosse hoje meu pai possivelmente seria considerado autista.” (Assessoria – Texto e Fotos nos repassadas por Neli, empresária da Amplideias)

Residência da Família Schierholt em Santa Helena

Era comum a boiada ser conduzida por tropeiros nas décadas 50 e 60

Família Schierholt pai Theodor, mãe Frida e filhos Neli e Valdemar (Careca)

Visita de parentes do Rio Grande do Sul em 1960

Casa de Theodor Schierholt doada ao município em 2014.Neli Schierholt assinando termo de doação Seu irmão Valdemar (Careca também assinou)

Prefeito de Santa Helena Jucerlei Sotoriva oficializando a doação ao município

Conforme o acordado a Casa Theodor Schierholt deveria ser alocada na Praça do Colono mas está num espaço público aguardando finalidade histórica-cultural
